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quarta-feira, 27 de junho de 2012

O que ganhei peregrinando...

Bom, depois de certa insistência da Graziane e alguma resistência minha em escrever, decidi não mais postergar e registrar a minha experiência, ou o que eu ganhei com tudo isso... De antemão peço desculpas pois sou prolixo.

Tanto trabalho antes, durante e depois para quê? Alguns podem se perguntar.
Se fosse apenas uma viagem de férias para a Itália, eu diria que preferiria gastar menos e ir para Fortaleza, por exemplo, onde eu poderia descansar, me divertir. Mas não era uma viagem, era uma peregrinação e isso fez toda a diferença. Fomos para, de alguma forma, termos um encontro com Deus, ver o rosto de Jesus Cristo, ouvir sua voz, e ver que a sua Igreja está cheia de vida e que, mesmo remando contra a maré neste mundo, não estamos sós, não somos loucos.

Desde o início era uma viagem impossível, mas o que é impossível para nós é possível para Deus. Do ponto de vista financeiro, a viagem era impossível, pois meu salário é suficiente apenas para nos mantermos, e olhe lá. Uma viagem cara como essa, indo com toda a nossa família e mais minha irmã para nos ajudar, seria inviável do ponto de vista financeiro, ainda mais tendo apenas 9 meses de preparação. Mas Deus nos precedeu quando trabalhávamos e até mesmo quando descansávamos. E essa foi a primeira coisa que ganhei, antes mesmo de partir: fé em Deus. Ele é fiel, e se é da sua vontade, as coisas simplesmente acontecem. Não devo me preocupar com as coisas materiais como vivo me preocupando, agora eu tenho mais uma forte experiência concreta disso.

Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Mateus 6:31-33
A viagem para mim também era impossível do ponto de vista físico e emocional.
Eu já sabia que fisicamente a viagem seria puxada - carregar os meninos, as bagagens, andar por longos percursos, viajar de trem, ônibus, metrô...
Quem me conhece, sabe que sou do tipo sedentário, peso apenas 50kg e com massa muscular mínima; por minhas forças, eu não daria conta do recado.
Um pouco mais de um mês antes da viagem eu comprei um tênis e decidi correr no tempo que tinha disponível, como forma de melhorar meu condicionamento, minha resistência. O que ocorreu foi que eu fiquei tonto depois de menos de 5 minutos e já estava com visão dupla. Cheguei a correr e caminhar uns 20 minutos nesse dia, mas foi o único.
O que sei é que Deus também me deu, e também à toda a família, as forças necessárias para carregar o que tinha que carregar, andar pelo percurso que tínhamos que andar e, quando não aguentaríamos, ele nos enviou pessoas para fazer isso por nós. Só para dar o exemplo que considero mais crítico.
Em Milão, todos já meio adoentados, inclusive eu, mas não tanto, andamos cerca de 4km com as crianças no dia da noite de testemunhos com o Papa. Dormimos pouco mais de 4 horas e fomos para o mesmo local no dia seguinte por volta das 7 da manhã para participarmos da missa, a maioria sem tomar café e só comemos alguma coisa no local. A missa terminou ao meio-dia, estávamos exaustos. Foi então que tivemos que andar mais uns 3km na volta, pois o caminho mais curto estava bloqueado. O que aconteceu é que Estêvão estava cansado e então teve que ir nas minhas costas. Eu só sentia meus braços e pernas dando espasmos. Graziane, nem se fala, gestante, enfrentou tudo isso sem reclamar de nada. Foi um sinal. E então se concretizou o que São Paulo dizia:
A longa caminhada...
Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte. 2 Coríntios 12:10
Emocionalmente, a viagem também prometia. Em uma agência, viajando sozinho, se algo dá errado ou foge dos planos, você simplesmente culpa o organizador, reclama com um terceiro, etc, e não acontece nada. Porém, quando é você que está no comando da viagem, se algo dá errado, a culpa é sua. E se algo dá errado com seus filhos, a culpa e a dor são muito mais que suas. E eu sou meio covarde para assumir estas responsabilidades.
Quem acompanhou o blog sabe que algumas coisas deram errado: não encontrávamos os passaportes na chegada em Lisboa; o barco em Veneza com a Lia e a Clara partiu enquanto eu embarcava as bagagens, e elas não sabiam onde deveriam descer e não tínhamos como nos comunicar; todos adoeceram e Helena e Verônica tiveram uma insistente febre por alguns dias; e outros pequenos problemas que tivemos no decorrer da viagem. Se todos nós não tivéssemos buscando ter o Espírito Santo, a viagem teria sido um fiasco.
Em Veneza ficamos a ver navios...
O que nos preparava a maioria das vezes eram a oração das laudes e os evangelhos de cada dia. Num desses dias difíceis a leitura da manhã era sobre Jó e falava:

Se recebemos de Deus os bens, não deveríamos receber também os males? Jó 2,10.
Essas experiências me fazem ver a importância da oração e do contato diário com a Palavra de Deus.

Do Encontro Mundial das Famílias especificamente guardo a riqueza das catequeses preparatórias que, por sinal, ainda não chegamos a completar. Dos discursos do Papa no encontro, eu confesso que guardei pouca coisa. O meu italiano, embora eu fizesse média, não é lá essas "coca-cola" e muita coisa passou incompreendida. Eu só sei que eu devo retornar e ler tudo que o Papa disse. O pouco que guardei e recordo agora foram a importância das famílias na sociedade, e famílias no seu correto conceito: pai, mãe e filhos; de não termos medo, ele falava principalmente aos europeus em meio às crises financeiras; de sermos generosos e abertos à vida; da importância do Domingo, o dia do Senhor; e da importância do trabalho e do cristão ser sinal também no trabalho. Isso me toca pessoalmente, pois penso que deveria me esforçar mais.
Onde está o Papa?
Outra experiência que trago no coração foram as hospitalidades do Frei Valério e Frei Gustavo em Assis e da família do Ricardo e Patrizia em Roma. A generosidade, disponibilidade e alegria dessas pessoas mexeram comigo. É algo que eu desejo retribuir a quem quer que passe pela minha casa.


Patrizia, nossa anfitriã em Roma!
Visitamos muitas Igrejas, alguns museus, e passeamos por alguns lugares muito bonitos. A Itália é única no mundo e vale a pena visitá-la. Mas um lugar em especial me cativou: Assis. Essa cidade realmente tem algo de especial, santo. Ficamos com vontade de morar lá.

Assis!!!
Também foi muito bom ver nossos filhos terem essa experiência. A Graziane já contou um pouco. As orações, o interesse pela vida dos santos, enfim, alguma coisa eles guardarão.

Por último, a mensagem que ficou para mim dessa peregrinação é que nossa vida só faz sentido se anunciamos Cristo. Onde quer que seja, da forma que seja. Ele só nos pede para estarmos disponíveis.
Para isso, primeiramente, precisamos querer nos converter. Depois, Deus, da nossa bruteza, consegue extrair coisas boas. E é isso que nós oferecemos a Deus hoje, a nossa família, e certamente Ele fará bom uso dela. Quem sabe de tantos filhos, não sai um sacerdote ou uma clarissa...

Ciao!

Felipe

domingo, 24 de junho de 2012

Os Padres e religiosos

Padres são as pessoas que nos ajudam a ter um encontro com Deus e durante a peregrinação alguns padres nos deram essa ajuda e gostaríamos de mencioná-los.
Frei Manuel
Não encontramos com o Frei Manuel na Itália mas ele nos acompanhou desde o início da jornada e certamente esteve conosco espiritualmente e rezou por nós durante a peregrinação. Só temos a agradecer a este homem que nos casou e batizou todos os nossos filhos, além de ser nosso confessor e diretor espiritual.


Pela Itália encontramos com o Padre Manolo, outro padre espanhol, que foi nosso catequista há alguns anos atrás. Lembrou-se de nós e de nossa história e foi muito legal nos reencontrarmos e ver a alegria de alguém que não se arrepende de ter entregue a vida pela evangelização. Padre Manolo aguardamos você ano que vem para a Jornada da Juventude.

Na cidade que guardamos em nosso coração, Assis, fomos muito bem acolhidos pelo Frei Valério, este senhor de 80 anos, frei capuchino, escritor, compositor e muitas outras coisas... com ele pudemos conhecer a 'letizia francescana' , além de toda a hospitalidade e generosidade que nos comoveram. Este homem tem um amor enorme pela Amazônia e esperamos poder retribuir da mesma maneira em uma visita aqui por Manaus. Lá também conhecemos o Frei Gustavo que foi nosso cicerone em Assis. Ele merece todo a nossa gratidão, sem ele nossa viagem por Assis não teria sido tão rica.

Frei Valério
Frei Gustavo
Bom, além destes encontramos com as irmãs do Istituto delle Suore Figlie di San Giuseppe de Carbulotto e as irmãs franciscanas em Florença. Também encontrei no avião com o Padre João Paulo que faz parte da comunidade Shalom e tivemos uma excelente conversa sobre a Igreja e os carismas do Caminho Neocatecumenal.
É muito bom ver nessas pessoas que entregam a vida pelos outros e por amor a Deus o rosto de Cristo. Os trabalhadores da vinha são poucos mas o mundo não está perdido.

domingo, 10 de junho de 2012

Florença

Olá,

Desculpem a demora a escrever. Estivemos sem internet em Florença e Assis. Chegamos ontem em Roma e aqui tento escrever um pouco de como foi Florença e depois Assis.
Em Florença ficamos em um convento. As responsáveis e as freiras foram muito gentis e o convento era muito bonito. Até prepararam o nosso café mais cedo pois iríamos viajar para Assis muito cedo.
Florença é uma cidade muito bonita e tem muita história e cultura, em resumo, é um lugar para apreciar obras de arte. Estivemos no Museu Uffizi que é o mais importante e vimos obras muito famosas de Boticceli, Michelangelo e outros artistas que no Brasil acabamos por não conhecer muito. As visitas com as crianças são sempre muito rápidas e não nos permitem ler as descrições etc, para elas é um pouco cansativo.
Lá estivemos na Igreja de San Miniato e assistimos a uma missa em Latim. Também estivemos no Duomo de Florença que é imponente como a maioria das Igrejas aqui.
Depois escrevo sobre Assis que foi uma experiência única. Falarei sobre a acolhida italiana lá. Também postarei as fotos. Escrevo breve pois agora visitaremos São Pedro.

Abs,

Felipe

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Arrivederci Milão!

Olá,

Não postamos ontem pois foi um dia muito cansativo. Fomos muito cedo para o local do encontro com o Papa pois pensávamos que não conseguiríamos um lugar bom. Acontece que a organização do evento que não tinha sido muito boa até então nos surpreendeu e nem precisávamos ter madrugado lá para termos um local agradável muito perto do altar.
Antes algumas fotos do dia Anterior, nós com o Pe. Manolo, esse hombre é muito gente fina.

O encontro com o povo de Manaus, cheios de espírito de peregrinos. As bandeiras faziam com que eles fossem entrevistados e fotografados o tempo todo.

Aguardando o Papa.

Nossa distância do palco.

Vimos o Papa passar bem de perto. Aqui é o momento em que o Estêvão registra este acontecimento.
Os poucos segundos dele passando estão lá perto de 1:45s.

Apesar do cansaço a missa foi muito boa, a homília principalmente.

A vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o universo, o mundo.
Encontramos com muitos brasileiros por lá, de Curitiba, Brasília, São Paulo, etc. É bom encontrar com os brasileiros por aqui. Encontramos também nossos parentes de Manaus que estão fazendo um outro roteiro (Jr. e Eleliana, Eduardo, Syrte e filhos), todos bem graças a Deus.
Infelizmente devido ao cansaço (tínhamos dormido menos de 4 horas) não conseguimos ir ao Encontro Vocacional com o Kiko, só soubemos que foi muito emocionante e que um rio de famílias se levantaram para a itinerância.

Nossos pequenos adoeceram, Helena ficou com febre, acabamos acordando tarde e resolvemos não fazer o roteiro que pretendíamos. Acionamos o seguro e isso nos surpreendeu, a coisa funcionou melhor do que pensávamos, vou até fazer propaganda da empresa - Coris. O médico (Maurizio) foi atencioso, falava um pouco de português e medicou a todos. Na farmácia a atendente também foi muito gentil e ficou preocupada por estarmos levando tantos remédios, até nos deu o soro de graça.
Aqui todo mundo pensa que eu sou rico, pela quantidade de filhos todo mundo quer saber qual é minha profissão... mal sabem eles...
Examinando o Estêvão.
 Todos medicados resolvemos ir ao Duomo de Milão que era um passeio mais ameno de se fazer.
A Igreja é imponente, muito bonita. Queríamos visitar o batistério, onde Santo Agostinho foi batizado por Santo Ambrósio, eu acabei bobeando e quando fui comprar os tickets já era tarde demais. Acabamos saindo da Igreja um pouco frustrados.

Crianças curtindo os pombos na praça do Duomo

Voltamos do Duomo e paramos numa praça para as crianças brincarem um pouco
Na saída encontramos o grupo de Curitiba e foi muito bacana trocar umas palavras com eles.
Bom, na volta pra casa resolvemos parar num McDonalds onde gravei esse vídeo das crianças.
Amanhã (hoje aqui) vamos para Florença, rezem por nós, se Deus quiser tudo vai dar certo.

Boa noite, agora eu vou dormir!
Abs,
Felipe
ps, os vídeos ainda estão carregando, posto pela manhã.

sábado, 2 de junho de 2012

Indo para o Encontro com o Papa!

Bom, o ponto alto da viagem se aproxima, viemos para esse encontro com todas as famílias. Estamos perto do local do encontro e estamos vendo as famílias andando e cantando pelas ruas. Está muito bonito.
Os italianos, em sua maioria pelo menos, são um povo bastante gentil.
Vez ou outra recebemos algum elogio pela família. Tem sido realmente uma aventura.
Hoje tentaremos nos encontrar com os outros manauenses...

Estamos rezando por todos vocês, peço que continuem rezando por nós.
Abraço,

Felipe

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Estamos em Milão!

Ciao!

Hoje saímos de Veneza (belíssima!) e já estamos devidamente alojados no hotel em Milão. Todos estamos muito bem, um pouco cansados, claro, mas felizes com o início da peregrinação. Penso poder dizer em nome de todos que Deus, de fato, nos precede nessa viagem, pois tem nos reservado coisas maravilhosas: grandes e pequenas, tranquilas e agitadas, boas e nem tão boas. Tudo isso para que possamos enxergá-Lo a todos os momentos.

Nesses primeiros dias, foi difícil de escrever devido a dois fatores: 1) tempo (nos acostumando com o ritmo e nos recuperando do jet lag) e 2) local de acesso à internet no convento (só funcionava no salão de entrada que fechava às 22:00h). Não prometemos que iremos escrever todos os dias a partir de agora, mas tentaremos em dias alternardos.

Há muita coisa para se falar sobre nossa experiência em Veneza, primeira cidade em que peregrinamos, mas decidimos relatar em vídeo (abaixo). A qualidade foi propositalmente reduzida para que a visualização ocorra rapidamente. Espero que gostem.



Só para constar, nesses dois dias em Veneza, conhecemos a Basílica de São Marco, a Igreja de Santo Estêvão, a Igreja de San Salvatore, e a Igreja de San Zulian. A primeira é cartão postal símbolo da cidade ("linda" é pouco para descrevê-la), mas as outras, mesmo menores e totalmente fora do itinerário turístico escondidinhas nas ruelas da cidade, são igualmente surpreendentes, cada uma do seu jeito. Havia outras, mas não deu. Que bom! Assim temos uma boa razão para voltarmos à cidade numa outra oportunidade.   


Novamente, obrigada a todos por tudo.
Rezem por nós.
Fiquem com Deus.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Primeiros trabalhos

Eu dei a ideia do Felipe vender lanches para seus colegas de trabalho, pois a lanchonete do trabalho dele estava em reforma. Na época, eu estava grávida da Helena e tinha uma certa dificuldade para acordar cedo, mas contávamos com a ajuda da Eliena que me auxiliava ora na cozinha ora com as crianças.
Mantivemos um bom ritmo e conseguíamos preparar tortas e bolos praticamente todos os dias.
Foi um passo para resolvermos vender tortas e lanches sob encomenda e também após as eucaristias que frequentamos. A esse último, acrescentamos a venda de refrigerantes e, um pouco depois, o programa de fidelidade Vale a pena ser fiel!  Ambas ideias do Felipe.
Chegou setembro e Felipe novamente pensou numa nova forma de ganhar dinheiro: vender água no sambódromo durante o desfile do Dia da Independência. Dias depois, colocávamos alguns de nossos livros à venda ou para aluguel e realizávamos o primeiro brechó, no bairro do Mutirão, com a ajuda da Lia e do Luiz e de outras tantas pessoas que nos doaram roupas e brinquedos.
O trabalho com vendas não se resumia somente à preparação dos quitutes ou a coletânea de usados. Tudo era (e ainda é!) devidamente anotado numa planinha. Lá consta todos os custos, investimentos e lucros de absolutamente tudo que realizamos até agora para arrecadação de verba. O resumo desse controle pode ser visto no nosso medidor. Outra coisa que também fazemos é uma avaliação do evento. Se erramos em algo, como a quantidade de sal numa torta; se faltou algo, como garfinhos ou saco de lixo; se dava para ter vendido mais, como água no 7 de setembro; etc.
Havíamos iniciado nossa aventura há apenas um mês e já estávamos felizes com o retorno dos trabalhos em termos financeiros e com o ânimo que ganhávamos. A criação desse blog, que acontecia paralelamente a esses trabalhos, foi resultado disso, pois queríamos compartilhar com todos nossos esforços e alegria.

Próximo post: a definição do roteiro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Planejamento - A decisão

Bom, tudo começou com a decisão propriamente dita de irmos à peregrinação. O desejo já era antigo, pois havíamos cogitado irmos ao VI Encontro Mundial das Famílias, realizado em Janeiro de 2009 na Cidade do México, mas a Clarinha nascia um mês antes... Uma vez anunciado o próximo encontro, acendeu em nós o desejo de irmos novamente. Quando, mais adiante, calculamos que eu não estaria em gestação avançada ou com bebê muito novinho, passamos a pensar com mais seriedade a respeito.

Buscamos informações mais detalhadas com a agência de viagens responsável pelas peregrinações do Catecumenato, mas fomos informados que eles iniciariam o trabalho para a peregrinação à Itália somente depois que os trabalhos com a Jornada da Juventude terminassem. E foi exatamente aí, em agosto do ano passado, que nosso desejo se transformou em decisão firme! Começamos imediatamente, antes de todo mundo, a vender lanches para os colegas de trabalho do Felipe e aos sábados após as celebrações eucarísticas.

A agência de viagens mandou 3 sugestões de roteiros e logo nos interessamos por um deles: Veneza, Milão, Turim, Biella, Florença, Assis e Roma. Quando os contactamos para tirarmos dúvidas e planejarmos o financiamento e tudo o mais, fomos aconselhados a seguir um roteiro próprio, mais curto e a sós, pois as crianças não acompanhariam o ritmo acelerado das visitas em grupos. Somos bastante agradecidos por essa consideração, pois nos poupou de possíveis frustrações e nos alertou para o foco que devemos ter: precisamos garantir o bem-estar das crianças. Mas tratarei desse assunto num post mais adiante sobre a escolha das atividades nas cidades.

Durante esse tempo inicial de trabalhos simples para arrecadação de verba, mas ainda sem roteiro definido, Felipe, como sempre muito bem informado, sugeria que realizássemos as catequeses de preparação organizadas pelo Pontifício Conselho para a Família juntamente com os demais casais interessados e o Frei Manuel, da Paróquia de Sta. Rita.

E conforme as catequeses iam acontecendo e os trabalhos sendo realizados e diversificados, a viagem foi pouco a pouco ganhando corpo. E valor!

Próximo post: As estimativas e a definição do roteiro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nossa passagem pela Polícia Federal

Para podermos ir ao Encontro em Milão, eu precisava renovar meu passaporte (pois viagem ao exterior já era algo do tempo de outrora...) e as crianças precisavam tirar os seus pela primeira vez. 

As entrevistas na Polícia Federal causaram uma pequena comoção. Ainda bem que Eliena generosamente nos acompanhou e nos ajudou a cuidar das crianças! Fora a área de espera estar cheia de brasileiros e haitianos, a sala de entrevistas tinha alguns aparatos fotográficos bem no centro. Os fundos brancos caíam só de encostar neles!

Apesar da dificuldade, ainda deu para tirar uma foto.
Três atendentes resolveram agilizar nossa estada lá, e cada uma pediu a documentação de um dos nossos filhos. O problema era entregar os nossos documentos de pais (RG e CPF) quando elas requisitavam. Fiquei doidinha de lá para cá com certidões de nascimento, CPFs, GRUs e fotos das menores. Uma das atendentes ainda quis mostrar Verônica e Clara para suas colegas de trabalho em outra sala! 

Nossa passagem pela PF foi meio conturbada, mas positiva para mim, pois meus filhos se comportaram bem e pude observar que preciso sempre manter a organização enquanto supervisiono eles. 

Mais um passo rumo ao EMF 2012! Agora já temos passagens, reservas e passaportes em mãos! 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Por que ter mais filhos?

Um vídeo que fala por si mesmo. Os próprios filhos dizem por que é bom ter muitos irmãos.
Inspirador...

domingo, 30 de outubro de 2011

Baixa fertilidade e baixo crescimento econômico


A importância social do casamento e da família
Por Padre John Flynn, LC
ROMA, domingo, 23 de outubro de 2011 (ZENIT.org)) – A redução do número de nascimentos e de casamentos terá impacto significativo na economia e na sustentabilidade das políticas assistenciais e de segurança social. Esta é a advertência de The Sustainable Demographic Dividend: What Do Marriage & Fertility Have To Do With the Economy? [O dividendo demográfico sustentável. O que o casamento e a fertilidade têm a ver com a economia?, n.d.t.], documento publicado pelo Social Trends Institute e financiado por organizações de famílias e universidades.

O Social Trends Institute é um organismo de pesquisas sem fins lucrativos, com sede em Barcelona e em Nova Iorque, que estuda quatro temáticas: família, bioética, cultura & estilos de vida e governo corporativo.
A prosperidade das economias aumentará ou diminuirá conforme o tratamento dado às famílias, diz o informe, indicando duas grandes tendências que preocupam:
Primeira: a população idosa e dependente está sofrendo um aumento brusco, enquanto a população em idade de trabalho está estancada ou diminui em muitos países desenvolvidos.
Segunda: o número de crianças em famílias de pais casados está se reduzindo com rapidez.
O termo demographic dividend, do título do informe, foi utilizado por alguns economistas para explicar a aceleração do crescimento econômico nos países asiáticos em que o aumento demográfico caiu bruscamente. O freio demográfico teria liberado recursos para estimular o crescimento econômico.
Este dividendo é, em realidade, um empréstimo, que precisa ser devolvido. O estancamento econômico do Japão nos últimos anos se deve em parte à baixa fertilidade registrada a partir dos anos 70, segundo o informe.
A experiência japonesa é uma advertência para a China, que viu sua taxa de natalidade cair abaixo do limite de substituição nos anos 90. Muito provavelmente, o gigante chinês terá uma redução do crescimento econômico nas próximas décadas, devida à redução da sua força de trabalho.

Qualidade
As economias estarão sob pressão não só por causa da redução dos trabalhadores, mas também devido à qualidade reduzida. O casamento está em declive em muitos países. O conjunto de divórcios, convivências e famílias de um só pai implica um grande número de crianças nascendo fora de famílias casadas. Isto acontece em muitos países europeus e na América do Norte, onde 40% ou mais nascem de pais não casados.
O informe destaca a Suécia, onde 55% das crianças nascem de pais não casados. Apesar da ampla aceitação social da convivência e do apoio jurídico e econômico que esses casais recebem, suas famílias são muito menos estáveis do que as casadas. Os filhos de casais não unidos em matrimônio têm probabilidade 75% maior de que seus pais se separem antes que eles cheguem aos 15 anos de idade.
As crianças criadas por um só dos pais também têm probabilidades 50% superiores de desenvolver problemas psicológicos, com drogas, alcoolismo, tentativas de suicídio ou suicídio consumado.
A pesquisa mostra que os filhos de famílias instáveis têm menos probabilidades de sucesso nos estudos e no trabalho, e que os homens casados que permanecem casados trabalham mais e ganham mais.
Segundo o informe, “os países que têm uma cultura matrimonial relativamente mais forte, como a China, a Índia e a Malásia, provavelmente terão dividendos de longo prazo”. Mas, infelizmente, muitos países não se encontram nesta posição afortunada.

Propostas
O informe não é de todo pessimista. Propõe:
- Maior apoio às empresas familiares, agrícolas ou não, que garantam mais estabilidade econômica às famílias.
- Ajudar os jovens a conseguir emprego seguro e duradouro, evitando o trabalho ocasional ou por contrato. Um trabalho seguro permite começar uma família e ter filhos.
- Habitação a custos razoáveis. Os elevados preços dos imóveis se associam a taxas de fertilidade baixas em todo o mundo.
- Flexibilidade para as mulheres que preferem combinar as responsabilidades familiares com o trabalho, para poderem fazê-lo sem deixar o emprego ou a jornada completa.
- Os governos deveriam apoiar o casamento e educar as pessoas sobre as suas vantagens, bem como sobre as desvantagens das uniões informais.
- Incentivar a poupança entre os jovens e dar mais apoio financeiro aos casais com filhos.
- Fazer um esforço para “polir” a cultura contemporânea contrária à família e promotora da promiscuidade.
- Os governos deveriam respeitar a contribuição positiva que a religião pode dar à família.
O papa Bento XVI falou recentemente da importância do casamento. Falando a um grupo de jovens noivos em Ancona, Itália, ele os encorajou a enfrentar os desafios que a cultura de hoje impõe à fidelidade matrimonial.
“A estabilidade da sua união no sacramento do matrimônio permitirá aos seus filhos crescerem confiados na bondade da vida”, afirmou o papa. “Fidelidade, indissolubilidade e transmissão da vida são os pilares de toda família, verdadeiro bem comum, patrimônio precioso para toda a sociedade”.
Um conselho não só religioso, mas também econômico.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Virtudes da família, exemplo para resolver crise


Papa recebe em audiência a Fundação Centesimus Annus
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI propôs as virtudes da família como exemplo para resolver a crise econômica, ao receber os participantes da jornada "Família, empresa: superar a crise com novas formas de solidariedade", organizada pela FundaçãoCentesimus Annus.
Durante a audiência, o papa destacou que o mundo do trabalho, da economia e da empresa têm que se guiar pela cáritas, pelo amor, porque “o modelo familiar da lógica do amor, da gratuidade e da doação tem uma dimensão universal”.
O pontífice explicou que a justiça comutativa e a distributiva não são suficientes na convivência social.
“Para a verdadeira justiça, é necessária a gratuidade e a solidariedade”.
“A solidariedade é todos se sentirem responsáveis por todos; por isso ela não pode ser deixada só nas mãos do Estado”.
“Antes, pensava-se que a justiça vinha primeiro e a gratuidade depois, como um complemento, mas hoje é necessário dizer que sem a gratuidade não se consegue nem sequer a justiça”.
O papa indicou que “não é dever da Igreja definir as vias para encarar a crise atual”. “Porém”, prosseguiu, “os cristãos têm o dever de denunciar os males, testemunhar e manter vivos os valores em que se fundamenta a dignidade da pessoa, e promover as formas de solidariedade que favorecem o bem comum, para que a humanidade se torne a família de Deus”.
O presidente da Fundação Centesimus Annus, Domingo Sugranyes, explicou que “mesmo nas gravíssimas tensões e incertezas que enfrentamos em nosso trabalho empresarial”, a Fundação tenta contribuir com a “nova evangelização de que o mundo moderno precisa urgentemente”.
Por isso, anunciou o lançamento de um curso virtual de doutrina social da Igreja, organizado em estreita colaboração com a Universidade Pontifícia Lateranense.
Na segunda jornada da conferência de dois dias, em 14 de outubro, os debates se desenvolveram de maneira especialmente viva, com experiências pessoais sobre temas como o assistencialismo, benefícios sociais, mercado, produtividade, solidariedade, empresas sociais, sempre cotejados com a doutrina social da Igreja.
O reitor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Milão, Alberto Quadrio Curzio, explicou a ZENIT que “às vezes há equívocos porque cada um de nós tem uma experiência pessoal de vida concreta”. “O aluno tende a exagerar o que faz, e nem sempre se dá conta de que a vida cotidiana é mais complexa. O empresário, por sua vez, insiste no seu próprio negócio”.
Devem-se focar “os valores comuns, que devemos não só viver, mas aprender a comunicar partindo da nossa experiência”.
Para o reconhecido economista, o ápice do congresso foi “a natureza polivalente da solidariedade: dentro da família, também quando ela se enfraquece, podemos reconstruí-la participando em comunidades mais amplas de solidariedade, em formas associativas”.
O congresso destacou a Centesimus Annus, que vê a empresa como uma comunidade e a comunidade familiar como modelo para a empresa.
Os participantes apontaram que os bens econômicos devem ficar em função do trabalho e da pessoa, visão que a encíclica Caritas in veritate aprofunda, propondo a lógica da gratuidade e do dom, não como filantropia, mas como relação de responsabilidade e solidariedade em que todos devem sentir-se responsáveis por todos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Venda de Água

"Quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna" (Jo 4,14)
Desfile de 7 de Setembro
Sambódromo
Hoje, 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil, decidi ir vender água durante o desfile militar para arrecadar recursos para ir ao encontro.

Em termos econômicos, diria que não foi um sucesso estrondoso como previa, mas o cristão deve aprender a olhar outras perspectivas além das materiais. Por isso, posso dizer que, olhando por outros ângulos, foi uma experiência muito valiosa.

Primeiro, que para um soberbo, humilhações nunca são demasiadas. E é colocando-me nessas situações que posso exercitar um pouco de humildade.

Fui com grande expectativa de um bom lucro e paradoxalmente com muito medo de um fracasso retumbante. Por isso, o segundo aspecto positivo da experiência é poder exercitar minha fé em Deus, pois nesses momentos tenho apenas que deixar que Ele conduza, o que me fez me rezar um pouco e meditar sobre a relação de Cristo e a água (Bento XVI, no livro Jesus de Nazaré, fala muito bem sobre os símbolos relacionados a Cristo).

Imagem meramente ilustrativa.
Não é propaganda da água Yara!
Exercitar-me fisicamente foi outro aspecto positivo. As peregrinações demandam um razoável preparo físico, ainda mais com nossa pretensão de ir com toda a família. Eu, sedentário que sou, preciso fazer alguns exercícios para não passar vergonha durante as caminhadas. Carregar o isopor com gelo e as águas não foi fácil, mas tenho certeza que mais algumas dessas e conseguirei carregar uns dois meninos nas costas.

A experiência na prática de vendas também foi boa. Cheguei lá pensando num preço, mas logo vi que a concorrência era muito grande no local onde consegui chegar, o que fazia com que os preços caíssem. Logo, tive que diminuir os lucros e consegui vender uma parte do que havia trazido. Depois descobri que quanto mais perto do desfile, maior era o preço. A lição é: se tens poucos produtos e bastante tempo disponível, o negócio é ir para onde estão cobrando mais caro e esperar fisgar um ou outro cliente. Ou, se tens pouco tempo, o negócio é vender mais barato, que foi o que fiz. Mas nesse caso é interessante ter uma boa quantidade de produtos, o que fará com que os investimentos (gasolina, gelo) diluam-se melhor e aumentem os lucros.

Também vi outros produtos sendo vendidos que, no calor, são refrescantes: melância, maçã, picolés e dim-dims. São produtos interessantes para uma próxima vez.

E a última coisa boa foi conhecer outros fornecedores de água e descobrir preços mais em conta. Informações que me ajudarão em matéria de economia doméstica.

Enfim, como falei no começo, foi uma boa experiência. Vendi tudo, mesmo que com pouco lucro, mas o que ganhei não tenho como valorar. Como escreveu Fernando Pessoa...
Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.